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Entre a incerteza e o desafio da reinvenção

13-01-2022

No final de setembro o otimismo tomou conta de Portugal. Com 85% da população vacinada, entrava-se na última fase do plano de desconfinamento. O retalho alimentar continuava pronto para desempenhar a sua missão de alimentar a sociedade portuguesa e o retalho especializado recomeçava a respirar de alívio. O ano de 2021 foi, tal como o anterior, duro para este segmento que apresentou uma diminuição de 3,1% do volume de vendas relativamente ao período homólogo.

Já no segundo trimestre de 2021, o retalho especializado, tinha verificado um aumento de 60,9% do volume de vendas em relação ao período homólogo e espera-se que esse aumento se tenha consolidado nos terceiro e quarto trimestres do ano. Apesar de novas nuvens negras terem começado a “pairar” sobre a economia e a sociedade europeia — o aumento do número de casos de Covid-19 está a levar ao regresso das restrições e mesmo de confinamentos em alguns países da União Europeia —, Portugal pode vir a beneficiar da sua alta taxa de vacinação.

A campanha de vacinação foi um dos acontecimentos que mais marcaram o ano de 2021 e, tal como noutros setores, o seu sucesso teve um impacto positivo no retalho. A importância deste setor é relevante para a economia do país, com um peso de 11% no PIB gerado em Portugal e com um total de 133.390 colaboradores. Os recursos humanos e a sua dedicação foram fundamentais para a resistência do setor face aos desafios que enfrentou. Trata-se de uma área estratégica para o retalho alimentar e especializado e entre 2016 e 2020, já em plena pandemia, os associados da APED criaram cerca de 14.100 postos de trabalho e, no mesmo período, investiram cerca de 150 milhões de euros na formação dos seus colaboradores.

Em 2021, às consequências sociais e económicas nefastas na pandemia, juntaram-se ainda quatro outros fatores cuja evolução é ainda imprevisível: a nova variante da Covid-19, o aumento da inflação, os custos das matérias-primas e a subida dos preços da energia, desde a eletricidade aos combustíveis. A estes juntam-se ainda os problemas causados pela “crise dos contentores” e que levaram à suspensão de atividades ou consideráveis atrasos na entrega de encomendas. A tudo isto o setor do retalho tem procurado adaptar- -se, chamando a atenção das entidades competentes que Portugal tem de rever, com urgência, a fiscalidade que penaliza a competitividade das empresas nacionais.

Com a nova variante da Covid-19, Ómicron, regressou alguma incerteza, embora a taxa de vacinação alcançada em Portugal conceda alguma proteção adicional. O país entrou novamente em estado de calamidade, previsto para durar até março, e regressaram algumas restrições. Com taxas de vacinação inferiores à portuguesa, vários países da União Europeia impuseram restrições mais duras, tendo alguns deles optado mesmo por novos confinamentos. A nova variante veio novamente causar disrupções nas ligações aéreas e lançou novamente o debate sobre a obrigatoriedade da vacinação.

Partimos para 2022 com um otimismo cauteloso devido não só à pandemia, mas também por causa dos impactos nas famílias e nas economias das pressões inflacionistas que estão a surgir e que podem levar a uma mudança de rumo nas políticas do Banco Central Europeu. Teremos de estar atentos a estes movimentos e procurar o máximo de eficiência na cadeia de valor do setor.

Confiamos na execução do Plano de Recuperação e Resiliência como uma alavanca indispensável para sustentar a transição digital e verde, funcionando como um impulsionador da Mudança em Portugal e não apenas de mais uma mudança.

Os consumidores continuarão a ser o foco da nossa atuação e julgamos que também devem ser a prioridade de toda a cadeia de valor. Para 2022 temos, novamente pela frente, o desafio da reinvenção. Tal como aconteceu em crises anteriores, o retalho dirá novamente presente para apresentar as soluções adequadas e as melhores práticas, sempre enquadradas pela inovação que caracteriza o setor. Mobilizaremos os associados, os stakeholders e toda a cadeia de valor para responder às necessidades da economia e dos consumidores.

Gonçalo Lobo Xavier, Diretor-Geral