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28-09-2020

Apesar de ninguém as desejar, as crises são sempre uma oportunidade para a inovação. Tal como em situações anteriores, a distribuição não se limitou a ajustar-se à situação trazida pela pandemia de Covid-19. Em primeiro lugar, teve que adaptar os seus espaços para garantir todas as condições de segurança aos seus trabalhadores e aos consumidores que nos procuram diariamente. Em segundo lugar, foi necessário adaptar todas as operações logísticas aos desafios do aumento da procura, principalmente nos primeiros meses do confinamento onde a capacidade de reposição dos produtos foi fundamental. Em terceiro lugar, o aumento das vendas online, que levou a que se queimassem etapas num processo que ainda estava numa fase de consolidação e obrigou as empresas a redefinirem o seu modo de atuação.

O setor demonstrou ser muito ágil na adaptação a uma nova realidade, mesmo em condições adversas, mostrando que é possível “conviver” com o vírus, salvaguardando sempre a proteção e segurança dos colaborares e consumidores. Numa nova vaga o setor procurará sempre manter as portas abertas e funcionar com a normalidade possível. No caso do alimentar, temos de continuar a garantir o abastecimento da população. No caso do retalho especializado, queremos transmitir confiança aos consumidores para poderem adquirir os produtos e terem urna experiência de compra positiva.

É fundamental devolver confiança aos consumidores. A forma como funcionámos antes e depois do confinamento fala por si. Fomos sempre espaços seguros para consumidores e trabalhadores. As preocupações com a higiene e a segurança são permanentes e tudo faremos para que se mantenha o grau de confiança demonstrado até agora nas nossas lojas. É certo que esta pandemia alterou hábitos de consumo — veja-se a evolução das vendas online, mas continuamos a acreditar que as lojas físicas serão espaços que os consumidores privilegiarão.

Encontrar soluções para atenuar a quebra na procura e a crise provocada pela travagem da economia são os grandes desafios do setor da distribuição alimentar e do retalho especializado. É preciso revitalizar o consumo e restabelecer a confiança, recorrer a estímulos fiscais, proteger as famílias mais desfavorecidas, encontrar mecanismos que protejam o emprego, estimular a inovação e acelerar a transição digital e a descarbonização da economia. São desafios transversais a todos os setores e a resposta a todos eles depende de uma colaboração entre todos, Estado, empresas e cidadãos. A APED acredita que o próximo Orçamento do Estado, aliado aos fundos europeus que chegarão a Portugal, serão instrumentos decisivos para atenuar os efeitos desta crise a apontar o caminho da recuperação. Seria uma boa forma de começar a presidência portuguesa da União Europeia. Há outro aspeto que é importante realçar na situação atual: há novas oportunidades e novos modelos de negócio a explorar. É mais um desafio para um setor que sempre se distinguiu pela sua capacidade de adaptação e inovação. Ou seja, estamos sempre prontos para a reinvenção.

Pessoas, economia do futuro, competitividade e ética e sustentabilidade são os eixos estratégicos definidos pela APED para o período entre 2019 e 2022. Estão mais atuais do que nunca e são fundamentais na criação de valor para a sociedade.

Gonçalo Lobo Xavier, Diretor-Geral